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Uma história cheia de histórias

Publicado em 28 de setembro de 2018

Uma das coisas mais legais que a gente aprende no Saúde É Meu Lugar é que ninguém precisa esperar para ter anos de experiência ou várias especializações pra começar a fazer a diferença na saúde. Temos histórias de trabalhadores de todas as idades e níveis de formação, e é uma mais inspiradora do que a outra.

Ficamos apaixonados quando vimos esse projeto desenvolvido em um hospital paraense por uma moça que era ainda estagiária em serviço social. Era uma tenda de contos, feita para que mães com crianças pequenas internadas pudessem contar suas histórias. Foi assim que a gente conheceu a Lorena Queiroz, que mandou esse relato e acabou se tornando uma super parceira nossa.

Lorena descobriu que seu lugar era a Saúde há muito tempo, ainda no ensino médio. “Mas não me identificava com cursos como medicina, enfermagem, na verdade não me identificava com o próprio estudo do corpo humano. O que me atraía era a possibilidade de ajudar as pessoas no ambiente hospitalar”. O que fazer? Ela começou a pesquisar sobre serviço social e viu que havia possibilidade de forte atuação na saúde… Então tomou sua decisão: seria assistente social.

Durante o curso, logo que começou a estagiar na saúde, ela já foi logo procurando atuar de jeitos diferentes e inspiradores - como a tenda de contos, que a gente amou tanto.

A vida foi passando, o mundo foi girando. Com a lembrança linda daquele projeto da Lorena na cabeça, decidimos chamá-la para ser nossa mobilizadora no Pará. A escolha não poderia ter sido melhor - mesmo que na hora ela própria não tivesse muita certeza disso :) Ela diz que, quando participou da nossa oficina de mobilizadores em Brasília e viu o tamanho do desafio, teve dúvidas de que daria conta! “Eu e outra mobilizadora nos olhávamos dizendo mentalmente: Será que a gente vai conseguir?”

Pois está todo mundo conseguindo, e bem demais. Lorena fez duas mostras no município de Capanema (logo depois de voltar de Brasília!) e ainda não parou. Agora, ela se mudou para a cidade de Tucuruí e quer fazer mais mostras por lá também. “O que sinto como mobilizadora? Sinceramente? Eu me acho!”, brinca ela. Mas é sério: “Eu nunca imaginaria que, com meus vinte e poucos anos, teria essa responsabilidade de representar meu estado como mobilizadora de um projeto de saúde. Mas sou, sou parte desse cenário e sou importante. É muito bom, e depois da mostra a gente fica com ainda mais vontade de contribuir com a nossa cidade, nosso estado”, diz.

Outra história

Ela trabalha hoje em uma unidade voltada para pessoas com câncer - a Unacon, Unidade de Alta Complexidade em Oncologia. Está lá há quatro meses que parecem uma vida, de tanto aprendizado que já rolou. “Vir para cá foi um desafio, tive medo no começo. Mas o trabalho que desenvolvo é lindo. A gente se envolve com a história dos pacientes, não tem como não se envolver, principalmente quando sabemos que houve piora no quadro ou óbito. Mas é bom saber que fizemos tudo por eles, tanto para o cuidado dos familiares como deles”.

Lorena encontrou o que sempre quis, desde os tempos de escola. Não é o cuidado à saúde daquele jeito mais direto, com remédios, curativos ou cirurgias, mas um apoio mais do que necessário para os pacientes: conversar com eles, conferir se as consultas estão em dia, tirar dúvidas sobre os benefícios sociais a que eles têm direito, fazer uma busca ativa dos que faltam às consultas ou ao tratamento para entender o que aconteceu, dar suporte às famílias...

Está sendo tão bom que Lorena começou a fazer uma especialização em cuidados paliativos - aquelas cuidados voltados a quem tem doenças terminais, que podem aliviar muito a dor e o sofrimento, mesmo que não haja uma cura. “Quero compreender ainda melhor essa vivência, esse cuidado, com acompanhantes e pacientes”, conta, muito feliz e demonstrando que o SUS funciona, basta ter meios para isso: “A humanização do atendimento começa na porta de entrada. Recebemos muitos elogios, algumas pessoas ficam surpresas de os serviços serem gratuitos, do SUS”.

Nesse período em que está trabalhando lá, Lorena já viveu muitas histórias (e ainda queremos ver todas elas na mostra online, rs!). Uma a marcou especialmente: foi quando uma paciente que já tinha passado por rádio e quimioterapias foi à  unidade para uma consulta e recebeu a notícia de que precisaria passar novamente pela radioterapia. “Ela estava muito chateada e aquilo me tocou. Chorou muito, não estava acreditando que teria que passar por tudo de novo. Semanas depois, eu soube que ela tinha evoluído a óbito. E a última imagem que eu tive dela foram aquelas lágrimas”, conta, superemocionada.

Por essas e outras, Lorena diz que trabalhar na saúde é incrível, mas também muito difícil. “A gente precisa amar mesmo o que faz, porque é pesado. Mas é um trabalho lindo, e sou muito realizada na minha profissão. A cada dia que vou para a unidade, vou muito feliz, querendo fazer o meu melhor para dar todo o suporte”, relata.

Uma palhinha

Lembra que quando era estagiária a Lorena construiu aquela linda tenda de contos? Pois agora ela já está com um novo projeto no forno, e deu uma palhinha pra gente. “O nome é ‘Retratos’, e a ideia é mostrar fotografias dos pacientes com câncer junto com suas histórias de vida, suas rotinas fora da Unidade. Cada pessoa aqui tem uma história forte e bonita, tem dificuldades que encontram também do lado de fora, como um preconceito que ainda existe como a doença. Quero mostrar um pouco da realidade desses pacientes. O câncer não deve ser escondido, deve ser mostrado para que os pacientes não sejam excluídos”, conta Lorena.

Olha que máximo: os dois projetos bolados pela jovem assistente social têm a ver com conhecer as histórias por trás dos tratamentos, e no Saúde é Meu Lugar a gente quer as histórias por trás dos trabalhadores. É óbvio que nossa parceria tinha tudo pra dar certo, né? Mal podemos esperar pra ver os ‘Retratos’. acontecendo. E, claro, depois queremos botar essa história no mundo!


Comentários:

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Márcia Santana

Apaixonada por essa história

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