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O que acontece quando você junta milhares de pessoas para discutir saúde

Publicado em 1 de agosto de 2018

Lançamento da 16a CNS

Tivemos momentos superimportantes na semana passada: marcamos presença em duas atividades do Abrascão - pra quem não sabe, esse é o nome pelo qual é conhecido o Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, um dos maiores congressos sobre saúde. Essa foi a 12ª edição e reuniu umas oito mil pessoas. Imagina?

Tudo isso na Fiocruz do Rio, um lugar imenso, cheio de prédios, alguns próximos, outros distantes. Era gente pra todo lado, debates paralelos o tempo inteiro, ônibus levando as pessoas de um canto ao outro, enfim, uma canseira mas ao mesmo tempo um evento que deixa a gente com uma sensação muito boa… Sensação de estar junto com outras milhares de pessoas que defendem os mesmos objetivos e estão juntas nas mesmas lutas.

Tinha tanto gente nova como gigantes da saúde pública, como Gastão Wagner, Ligia Bahia, Jairnilson Paim, Sonia Fleury... 

Foi um grande privilégio a gente acompanhar esses debates e dar nossa contribuição em relação aos territórios. Teve uma mesa redonda todinha bolada a partir do Saúde É Meu Lugar, com o tema ‘Histórias sobre os territórios da saúde’, e o auditório ficou simplesmente lotado. Nosso coordenador Caco Xavier mediou a conversa. E, na mesa, quatro pessoas discutindo territórios na saúde, cada uma com um recorte bem específico.

 

Luana Furtado, designer da equipe do Saúde é Meu Lugar, falou da importância de se contar histórias e de como isso ajuda mesmo a gente a se constituir. Partindo do que aprendemos com o projeto, ela também citou momentos importantes em que tivemos certeza do quanto a mostra era importante para tocar as pessoas. “As histórias que você conta sobre o seu trabalho influenciam a vida das pessoas que estão ao seu redor”, disse.

Outro convidado foi o filósofo Pablo Fortes, que lembrou um texto importantíssimo pro Saúde É Meu Lugar. É O Narrador, de Walter Benjamin, um material que ajudou demais a gente a entender e explicar a qual tipo de história a gente pretendia dar visibilidade nas mostras (aliás, falamos mais disso nesse post. É do ano passado, mas tá valendo!). Assim como a Luana, Pablo explicou a importância das histórias, mas levantou algo que a gente normalmente não pensa: que ouvir histórias é uma forma de a gente se reconhecer na experiência do outro, suspendendo nosso julgamento.

Uma narradora muito querida para o projeto, a dentista Lidia Oliveira, do Rio, foi a terceira convidada. Ela mandou a primeira história em áudio que recebemos, e esteve conosco na nossa primeira mostra física - que nem era ainda uma moooostra de verdade, era uma espécie de minimostra que fizemos na Fiocruz para acertar o passo. Depois, voltou a estar conosco na mostra de Minas Gerais (olha a participação dela aqui) e todo mundo gostou muito de ouvi-la falar. Além de contar para a plateia um pouco das suas próprias vivências no território, ela também ajudou a refletir sobre como é legal, para os trabalhadores, poderem expressar tudo o que passam e que não cabe nos relatórios.

E a nossa jornalista, Raquel, fechou a mesa com uma reflexão sobre a contação de histórias no próprio jornalismo, não só se referindo às histórias das pessoas, mas também àquelas por trás das notícias.

Ficamos muito felizes com a atenção e as discussões que vieram sem seguida - uma estudante de São Paulo disse até que aquela era uma das poucas mesas que não a tinha deixado com sono, o que nos deu um orgulhinho, rs.

E, noutro dia, voltamos a uma das salas, agora para apresentar especificamente o Saúde É Meu Lugar em uma atividade sobre comunicação. Aí foi o Caco Xavier quem falou, para outros pesquisadores que estudavam e trabalhavam temas tão diversos como videogames, cinema e fotografia, sempre relacionados à saúde.

Caco Xavier

Só teve um probleminha: ouvimos muitas perguntas boas, e vamos precisar de mais um tempo (e mais um congresso!) para dar cabo delas, rs. 

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