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Invertendo os Papéis: Alunos viram Professores e Professores viram Alunos; é a vida em constante transformação.

Os professores lavam as mãos com tinta e vendados, orientados pelas crianças.
Os professores lavam as mãos com tinta e vendados, orientados pelas crianças.

O município de Icaraíma é situado na região noroeste do Paraná, faz divisa com Mato Grosso do Sul, por terra e água. Tem aproximadamente 8 mil habitantes, e dentre algumas secretarias, a de Educação administra três escolas de ensino fundamental, sendo uma na região central urbana e duas distritais, dois CEMEIs e uma pré-escola, com 46 professores municipais. Outra Secretaria é a de Saúde, que apresenta três Unidades de Atenção Básica- UBS, onde uma é urbana com duas equipes de Estratégia Saúde da Família-ESF, e outras duas distritais com uma ESF cada. Ainda apresenta uma Equipe de NASF- Núcleo de Apoio a Saúde da Família, que apoia todas as ESF.

Dentre os projetos que o NASF apoia, o Corpo e Mente trabalha a Saúde Mental e Física de Professores Municipais, idealizado à partir da quantidade de atestados médicos e desvios de professores de salas de aula, liderando motivos emocionais. Esse projeto é de minha coordenação, que sou fisioterapeuta, lotada no NASF, e funcionária efetiva a quase 12 anos.

Todos os anos na chegada do outono, as equipes de saúde se alertam para as viroses, que se intensificam nesse período, adentrando pelo inverno. E é fortemente visível que ao passar do tempo, aqueles cuidados de higiene como a lavagem das mãos e uso de álcool em gel se perderam, talvez, porque a população não se sinta mais ameaçada pelo vírus da gripe H1N1. Mas, é nosso dever, uma vez profissional de saúde, nos atentar a prevenção de doenças, e resolvemos sensibilizar os usuários, para o perigo que nos ronda quando deixamos de lado hábitos que promove saúde a comunidade.

Escolhemos juntar as secretarias de saúde e educação, uma vez que são numerosas e de extrema liderança e expansão de informações no município. Como trabalhamos com os professores, e também com algumas crianças, encaminhadas pela escola, para trabalho multidisciplinar de psicomotricidade e oficinas terapêuticas, escolhemos duas crianças, uma de 8 anos com diagnóstico médico de Hiperatividade, e outra de 10 com comportamento um pouco mais agitado em sala de aula, sem diagnóstico clínico e nem patologia evidente.

Essas crianças foram orientadas quanto a importância da higienização das mãos, da necessidade do ato principalmente nas estações de outono e inverno, da forma correta da lavagem das mãos e utilização de álcool em gel. Foram convidadas a orientar um grupo de adultos, que são atendidos pelo NASF, e pedimos que seus responsáveis as autorizassem por escrito, para o encontro que são sempre nas quartas- feira das 18:30 as 20:00hs.

Na chegada de ambas as partes, a surpresa foi evidente nas duas partes. Vendamos os professores e orientei que eles deveriam lavar as mãos da maneira correta que achavam. Uma das crianças colocava tinta guache nas mãos dos professores, como se fosse sabonete líquido, e orientado que quando achasse oportuno, poderiam abrir a torneira, enxaguar e receberiam 2 folhas de papel toalha para secarem as mãos, além de ser o necessário, protegemos o meio ambiente, diminuindo a quantidade de lixo. Quando os professores tiravam as vendas, percebiam o quanto as mãos estavam sujas, o riso era absoluto. 

Após essa ação, as crianças os ensinaram a lavagem correta das mãos, seguindo o padrão que deveria estar fixado em todas as pias de uso público. Orientaram a necessidade do uso de álcool em gel periodicamente, e da incidência de doenças virais nessa época do ano.

Ao final, fizemos a reflexão, que sempre há tempo para aprender, que naquele momento poderíamos perceber que todos aqueles professores, são e sempre serão educadores, mas que as crianças, estavam na fase de alunos, mas que também podem ensinar, da mesma forma que os professores podem aprender com elas. E assim, entramos numa filosofia de Paulo Freire, que em um de seus livros diz:  "...o inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência vital. Onde há vida, há inacabamento." 

Paulo Freire doi um educador, pedagogo e filósofo, que influenciou o movimento chamado Pedagogia Crítica. Esse trecho é de um de seus livros, titulado por Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à Prática Educativa, 2011.

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Professores observam o quanto as mãos continuam sujas por não lavarem corretamente.

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ANNABEL FOGAÇA

especialista em politicas e gestão em saúde
PR / Icaraíma
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