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RELATO DE EXPERIÊNCIAS DO PLANTÃO DE SERVIÇO SOCIAL DO HMI – HOSPITAL MUNICIPAL DE IMPERATRIZ

Resumo Relato faz um apanhado de situações ocorrido durante os plantões pedagógicos do Serviço Social num Hospital Municipal e que serviu de suporte para ser implantado numa outra realidade de urgência e emergência no mesmo O município, onde teve como objetivo o empoderamento dos usuários vitimizados e os profissionais envolvidos com o acolhimento no plantão e dos serviços intersetoriais da Rede de Saúde, Justiça, Assistência Social e IML- Instituto médico legal. No acolhimento de urgência se promoveu uma escuta diferenciada e qualificada da fila habitual por ordem de chegada, dentro de uma perspectiva de se colocar no lugar do outro e promover um acesso de retorno de direitos e de paz na vida dos vitimizados. Palavras-Chave: Resiliência. Violência Doméstica. Empoderamento. Notificações. Matriciamento. 1. INTRODUÇÃO Considerando o nível de casos de violência adentrado no plantão do serviço social do HMI- Hospital Municipal de Imperatriz, como na Pediatria HII- Hospital Infantil (anexo ao SOCORRÃO), tanto de mulheres, criança, adolescentes e idosos, com problemas de saúde pública, desencadeando ações de prevenção e enfrentamento; com isto despertou em mim a necessidade de apontar alternativas viáveis junto a essas demandas. Elaboramos uma metodologia para coletar informações destas ocorrências e encaminhá-las aos respectivos órgãos de denúncias e/ou assistência médica de prevenção e promoção de saúde. A partir desta experiência pude também implantar junto a UPA- Unidade de Pronto Atendimento de Imperatriz igual sistema de observação e levantamento de dados e encaminhamentos para rede de saúde presente até hoje. Identifiquei a vulnerabilidade destes casos à violência, fiz o acolhimento individualizado, ético, prestando orientações, além de promover o empoderamento das vítimas de seus direitos sociais, conforme cada caso. Só após o atendimento médico de urgência e emergências é que realizava os encaminhamentos necessários. O Núcleo de Prevenção da Violência, Promoção da Saúde e Cultura de Paz em Imperatriz - DANT- Área técnica de Doenças e Agravos Não notificados, passou a exigir dos profissionais em novembro de 2010 a Notificação compulsória, mas já realiza esse acolhimento desde 2006. Portanto, foram acompanhados 195 casos de violência doméstica com criança e adolescentes entre 09 dias de nascida até 18 anos e não estamos mencionando nenhum dos casos de mulher, idoso e outros. Diante dessa demanda realizei o acolhimento e encaminhamento de direitos sociais às vítimas de violência doméstica no HMI, HII e UPA pelo SUS- Sistema Único de Saúde. Analisei a situação de saúde, voltadas para as violências junto a demanda emergente do nosocômio. E promovi a sensibilização e instrumentalização das Assistentes Sociais do HMI e UPA sobre a necessidade da notificação compulsória - DANT. Além de articular junto aos setores interno e externo, buscando a intersetorialidade e o matriciamento da política pública. 2. ACOLHIMENTO DE VIOLÊNCIAS DOMÉSTICAS COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES. A Lei Maria da Penha (11.340, de 7 de agosto de 2006) fala das formas da violência, dentre elas: física, negligência, sexual, patrimonial, moral, violência contra si mesmo/ suicídio e psicológico. Bastante detalhado apresenta essas violências nas notificações de maus-tratos contra crianças e adolescentes pelos profissionais... Mas o estatuto da criança (Lei 8.069, de 13 de Julho de 1990) e do adolescente reforça essa mesma realidade do mundo adulto e na atualidade a juventude possui outros direitos elencados no estatuto da juventude pela Lei 12.852, de 5 de agosto de 2013. As demandas de violências doméstica na emergência “nos indica é a urgência de reversão e reinvenção dos modos de operar os processos de acolhimento no cotidiano dos serviços de urgência, objetivando: • A melhoria do acesso dos usuários, mudando a forma tradicional de entrada por filas e ordem de chegadas; • A mudança das relações entre profissionais de saúde e usuários no que refere à forma de escutar este usuário em seus problemas e demandas; • O aperfeiçoamento do trabalho em equipe com a integralidade e complementaridade das atividades exercidas pelas categorias profissionais; • O aumento da responsabilização dos profissionais de saúde em relação aos usuários e a elevação dos graus de vínculo e confiança entre eles; • A abordagem do usuário para além da doença e suas queixas; • A pactuação com o usuário da resposta possível à sua demanda, de acordo com a capacidade do serviço. O acolhimento é um modo de operar os processos de trabalho em saúde assumindo uma postura capaz de acolher, escutar e dar respostas adequadas aos usuários. O acolhimento não é um local, mas uma postura capaz de acolher, escutar e dar respostas adequadas aos usuários.” (BRASIL, 2010) Portanto, a Classificação de risco é uma ferramenta necessária neste ambiente de urgência e emergência, pois organiza essa fila que não é a ordem de chegada, mas garante o atendimento imediato do usuário conforme o grau de risco elevado ou não; promovendo trabalho em equipes; aumentando a satisfação do usuário e possibilitando a pactuação e construção de redes internas e externas de atendimento, inclusive o matriciamento entre as equipes de plantões fortalecendo a rede de acolhimento. Na perspectiva da sustentabilidade a iniciativa de trabalho servirá como marco inicial de ação de vigilância, promoção, qualificação e mobilização da equipe técnica de urgência e emergência. Então, procurei abrir um livro para registrar de modo detalhado as notificações de crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica, sexual e/ou outras violências- Atendimentos aos U.V – Usuários Vitimizados, assim distribuídos em ítens: nome, endereço, ponto de referência, fone, idade, sexo, procedência, local e tipo de agressão,abusador,deficiente ou não, referências, para as violências com mulheres, idoso, homens e homosexuais (ver anexo de Fluxograma). Entre o período de 13-12-2006 até 12-06-2012 encontramos alguns índices: • 86 casos de negligência e abandono pelos pais e/ou responsáveis, acompanhadas de envenenamento, queimaduras, afogamento na pia desnutrição ou desidratação... • 35 casos de agressão física grave, média e leve como traumatismo do crânio de encefálico à uma surra ou corte leve. • 18 casos entre suspeita de abuso sexual e o estupro, propriamente, dito. • 17 casos de maus tratos com e sem agressão física. • 13 casos de agressões físicas com arma de fogo-tiro; espancamento e/ou enforcamento.... • 12 casos de tentativa de estupro ou mesmo o estupro. • 08 casos de tentativa de suicídio ou suicídio consumado. • 04 casos de violência psicológica. • 02 casos de óbitos registrados neste período por envenenamento. • 01 caso de violência por trabalho pesado. Entendo que são quantidades significativas de violação dos direitos da criança e do adolescente, que poderia ser um filho, um sobrinho, um primo, enfim alguém que ame e que daria tudo para proteger e amar, por que é isso que se deveria fazer dentro do contexto das famílias presentes na sociedade, responsáveis pela transmissão destes valores básicos, mas é notório que nestes ambientes de família a proteção com amor se faz ausente pelos primeiros protagonista da família. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Profissionalmente, foi muito particular o turbilhão de emoções que vivenciei mais uma vez naquele plantão, pois não dar para acostumar com a violência com bebês e ao perceber que no hospital era tudo muito normal atender a urgência e não realizar outros procedimentos diante das vitímas de violências domésticas. Consegui fazer a resiliência necessária e imediata convertendo o meu choque emocional em atitudes determinantes em benefícios destes usuários. Lembro-me de um caso em particular que atendi da Criança: LGGN de 2 anos , vitíma de maus tratos pelo pai e pela madastra, pois a mesma apresentava “furos na cabeça com secreção purulenta”, desidratada, magra, pálida, sem alegria, com um barrigão que parecia vermes e um tanto desfalecida... Após o acolhimento do caso através da madastra na sala do serviço social realizei a notificação compulsória e chamamos o conselho tutelar responsável pela área de abrangência que a família morava para monitorar com visitas domiciliares o caso, pois era gritante só de olhar a criança, dava arrepios. Então foi levado ao conhecimento do ministério público, com o desenrolar do processo fui chamada na delegacia e no FORUM da Infância e Juventude para depor na audiência, pois deveria confirmar se as fotos tiradas da criança quando dera entrada no hospital eram verdadeira, se confirmava as condições físicas visualizadas na foto na época . Para mim foi tudo muito novo e resiliênte, porque consegui ultrapassar o medo de estar em frente a uma juíza, de lembrar que não poderia me omitir, novamente, de defender o meu usuário com ética e juramento, portanto ir em frente pelo bem daquela criança que agora já estava no poder da casa da criança, pela gestão municipal, bem cuidada, de bom peso e amada por todos da instituição, até mais do que pela família. A gente se formar e nunca imagina em passar por tantas situações como esta e de que a omissão profissional pode determinar à vitimização do nosso usuário. Portanto, a resiliência promove o recomeço em meio à adversidade, do contra corrente, numa saudável e sábia ultrapassagem de um trampolim de escolhas, regras, valores, crenças, mobilização de recursos internos e externos, institucionais, psicológicos, espirituais e emocionais, numa busca holística e integral do atendimento da pessoal humana sedenta de Amor para se desenvolver. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Notificação de maus-tratos contra crianças e adolescentes pelos profissionais - um passo a mais na cidadania em saúde. Normas e Manuais Técnicos, série A, nº167. Brasilia:Ministério da Saúde, 2002. BRASIL.Ministério da Saúde.Secretaria de Atenção à Saúde.Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS. Acolhimento e Classificação de risco nos serviços de urgência/Ministério da Saúde.- 1. Ed.1. reimpr.-Brasília:Ministério da Saúde, 2010. BRASIL, Ministério da Saúde. Projeto Promoção da Saúde. Promoção da Saúde: Declaração de Alma-Ata, Carta de Ottawa, Declaração de Adelaide, Declaração de Sundsvall, Declaração de Santa fé de Bogotá, Declaração de Jacarta, Rede de Mega países e Declaração do México. Brasília. Ministério da Saúde, 2001. CAMPOS, Gastão Wagner Sousa & DOMITTI, Ana Carla. Equipes de referência e apoio especializado matricial: uma proposta de reorganização do trabalho em saúde. In: Ciências Saúde Coletiva, 1999. ______. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. ______ Estatuto da Criança e do Adolescente: promulgada em 13 de julho de 1990. ______ Estatuto da Juventude: promulgada em 05 de Agosto de 2013. ______ Lei Maria da Penha: promulgada em 07 de agosto de 2006. NIIMI, Reiko. Fundo das Nações Unidas para a Infância- UNICEF. CLAVES. Brasília,julho/2004: 9p

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RODENILDE

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